quarta-feira, 9 de junho de 2010

corte após corte feri o pulso
rasguei o sonho, quebrei o elo
e julgando matar o pesadelo
cedi o corpo ao negro impulso.
sangue, sangue, negro sangue
que destino me reservas
entre as tenras, frescas ervas
onde o corpo jaz exangue?
de saudades me construo
sou quase nada, mas sou
sou avanço e sou recuo
ando perdido, mas estou.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

não perguntes se te amo
se te quero ou te desejo
nem duvides do meu beijo
das palavras que te chamo.

não intuas nos meus braços
sentimentos que não tenho
se é por ti que me detenho
a sonhar outros cansaços.

nem queiras, amor, saber
por que chove o dia inteiro
se há tinta no tinteiro
ou se irei de nós escrever.

quarta-feira, 31 de março de 2010

alí estava a escada
que eu sempre subia
e de onde espreitava
o luar que fulgia.

ali estava o fruto
vermelho de doce
com ar impoluto
sem nódoa que fosse.

ali estava o sonho
tornado pecado
num ramo viçoso
jamais alcançado.

ali estava eu
pecando sem culpa
num desejo ardente
que o amor indulta.

segunda-feira, 22 de março de 2010

agora que choveu a terra freme
num regozijo intenso que arrepia
e deixa no céu limpo a luz do dia
que sobre o glauco mar ainda é creme.

sábado, 20 de março de 2010

os meus olhos vaguearam sem prisão
pelas curvas do seu corpo imaculado
e vencendo o meu pudor emancipado
duas piras soergueram de ilusão.

pelas ondas desse olhar tão navegado
naveguei sem contramestre ou capitão
à bolina dum amor desenfreado
que amainou pela força da razão.

mas saiba que eu sou todo coração
que é nobre o meu querer, o meu sentir
e verdadeira a ânsia de lhe ouvir
a voz ferindo o ar numa canção.