sexta-feira, 9 de abril de 2010

não perguntes se te amo
se te quero ou te desejo
nem duvides do meu beijo
das palavras que te chamo.

não intuas nos meus braços
sentimentos que não tenho
se é por ti que me detenho
a sonhar outros cansaços.

nem queiras, amor, saber
por que chove o dia inteiro
se há tinta no tinteiro
ou se irei de nós escrever.

quarta-feira, 31 de março de 2010

alí estava a escada
que eu sempre subia
e de onde espreitava
o luar que fulgia.

ali estava o fruto
vermelho de doce
com ar impoluto
sem nódoa que fosse.

ali estava o sonho
tornado pecado
num ramo viçoso
jamais alcançado.

ali estava eu
pecando sem culpa
num desejo ardente
que o amor indulta.

segunda-feira, 22 de março de 2010

agora que choveu a terra freme
num regozijo intenso que arrepia
e deixa no céu limpo a luz do dia
que sobre o glauco mar ainda é creme.

sábado, 20 de março de 2010

os meus olhos vaguearam sem prisão
pelas curvas do seu corpo imaculado
e vencendo o meu pudor emancipado
duas piras soergueram de ilusão.

pelas ondas desse olhar tão navegado
naveguei sem contramestre ou capitão
à bolina dum amor desenfreado
que amainou pela força da razão.

mas saiba que eu sou todo coração
que é nobre o meu querer, o meu sentir
e verdadeira a ânsia de lhe ouvir
a voz ferindo o ar numa canção.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

nada lêem os meus olhos
os meus dedos nada escrevem
são como estéreis abrolhos
onde as rosas não se atrevem.

já floriram primaveras
entre os nós das minhas mãos
mas agora só há heras
entre gestos sempre vãos.

se tu lesses o que escrevo
escreveria novamente
sobre o amor a que devo
este mal estar de doente.
arranca do teu peito a voz truncada
grita a liberdade no teu grito
e cala para sempre esse proscrito
medo que amordaça a voz amada.

sê livre e livremente espalha o riso
com pétalas de sílabas trinadas
e num trinado límpido e conciso
canta do ocaso às madrugadas.

que a luz do grande sol te dê alento
para cantar aos homens ignorantes
e canta belos versos aos amantes
em pautas desenhadas pelo vento.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

ter-te,
é não te ter em coisa alguma
é mergulhar na doce bruma
dum sonho álgido e imbele
e ser a força que o impele
para uma meta que se esfuma.

ter-te,
não é estreitar-te nos meus braços
nem confiar-te nos cansaços
palavras mornas que adormecem.

Ter-te,
é simplesmente não ter nada
e ter assim justificada
esta vontade de perder-te.