nada lêem os meus olhos
os meus dedos nada escrevem
são como estéreis abrolhos
onde as rosas não se atrevem.
já floriram primaveras
entre os nós das minhas mãos
mas agora só há heras
entre gestos sempre vãos.
se tu lesses o que escrevo
escreveria novamente
sobre o amor a que devo
este mal estar de doente.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
arranca do teu peito a voz truncada
grita a liberdade no teu grito
e cala para sempre esse proscrito
medo que amordaça a voz amada.
sê livre e livremente espalha o riso
com pétalas de sílabas trinadas
e num trinado límpido e conciso
canta do ocaso às madrugadas.
que a luz do grande sol te dê alento
para cantar aos homens ignorantes
e canta belos versos aos amantes
em pautas desenhadas pelo vento.
grita a liberdade no teu grito
e cala para sempre esse proscrito
medo que amordaça a voz amada.
sê livre e livremente espalha o riso
com pétalas de sílabas trinadas
e num trinado límpido e conciso
canta do ocaso às madrugadas.
que a luz do grande sol te dê alento
para cantar aos homens ignorantes
e canta belos versos aos amantes
em pautas desenhadas pelo vento.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
ter-te,
é não te ter em coisa alguma
é mergulhar na doce bruma
dum sonho álgido e imbele
e ser a força que o impele
para uma meta que se esfuma.
ter-te,
não é estreitar-te nos meus braços
nem confiar-te nos cansaços
palavras mornas que adormecem.
Ter-te,
é simplesmente não ter nada
e ter assim justificada
esta vontade de perder-te.
é não te ter em coisa alguma
é mergulhar na doce bruma
dum sonho álgido e imbele
e ser a força que o impele
para uma meta que se esfuma.
ter-te,
não é estreitar-te nos meus braços
nem confiar-te nos cansaços
palavras mornas que adormecem.
Ter-te,
é simplesmente não ter nada
e ter assim justificada
esta vontade de perder-te.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
domingo, 6 de setembro de 2009
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
não é o teu olhar que mais recordo
nem são as tuas formas que relembro
são as tardes mornas de setembro
que sinto ainda longe quando acordo.
do corpo que me deste nada tenho
perdi todos os elos do encanto
amei-te, sim, amei, mas entretanto
esbateu-se a tua luz no meu desenho.
agora que partiste pinto à tarde
com pinceladas tristes e singelas
e vou compondo a cor nas minhas telas
com cinzas dum amor que já não arde.
setembro foi o tempo das quimeras
das vinhas e dos vinhos perfumados
dos sonhos e dos beijos destinados
ao sobrevir de novas primaveras.
nem são as tuas formas que relembro
são as tardes mornas de setembro
que sinto ainda longe quando acordo.
do corpo que me deste nada tenho
perdi todos os elos do encanto
amei-te, sim, amei, mas entretanto
esbateu-se a tua luz no meu desenho.
agora que partiste pinto à tarde
com pinceladas tristes e singelas
e vou compondo a cor nas minhas telas
com cinzas dum amor que já não arde.
setembro foi o tempo das quimeras
das vinhas e dos vinhos perfumados
dos sonhos e dos beijos destinados
ao sobrevir de novas primaveras.
domingo, 30 de agosto de 2009
um mar azul turquesa que reflecte
um barco de alva vela pela espuma,
um sol incandescente que se apruma
num céu apolescente que derrete.
um livro de poemas que promete
deixar-me na toalha a tarde inteira,
um grito de gaivota passageira
que voa pela praia e compromete.
nas ondas, enredada, qual sereia
tentando equilibrar-se com firmeza
escorada no seu traje de beleza
uma morena linda titubeia.
bela não fosse e a turba zombeteira
que se compraz na ignóbil estultícia
faria do seu escárnio uma notícia
e da nudez da ninfa a sua esteira.
um barco de alva vela pela espuma,
um sol incandescente que se apruma
num céu apolescente que derrete.
um livro de poemas que promete
deixar-me na toalha a tarde inteira,
um grito de gaivota passageira
que voa pela praia e compromete.
nas ondas, enredada, qual sereia
tentando equilibrar-se com firmeza
escorada no seu traje de beleza
uma morena linda titubeia.
bela não fosse e a turba zombeteira
que se compraz na ignóbil estultícia
faria do seu escárnio uma notícia
e da nudez da ninfa a sua esteira.
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