sexta-feira, 15 de outubro de 2010

quando eu era grande esquecia o amor
perdia-me em formulas, destilava saber
e subia aos palcos sem me estremecer
sem voz embargada, sem qualquer rubor.

quando eu era grande conhecia o mundo
enumerava reis e brincava às embaixadas
e sabia que o mar é imenso e profundo
e que as suas areias são praias douradas.

quando eu era grande desconhecia o tempo.
mas um dia tornei-me pequeno, e foi então
que escutando só a voz do coração

deixei escorrer o tempo pela fresta
que espia circunspecta a noite escura
e ardi, como um poeta, de loucura
sentindo na garganta tal secura
que amar é tudo aquilo que resta.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

eu sou rei e sou herói
sou mais isto e mais aquilo
sou a dor que me destrói
sou a sombra que mutilo.
se em ti estou e adormeço
na dolência do meu choro
cubro o rosto por decoro
com as estrelas que conheço.
corte após corte feri o pulso
rasguei o sonho, quebrei o elo
e julgando matar o pesadelo
cedi o corpo ao negro impulso.
sangue, sangue, negro sangue
que destino me reservas
entre as tenras, frescas ervas
onde o corpo jaz exangue?
de saudades me construo
sou quase nada, mas sou
sou avanço e sou recuo
ando perdido, mas estou.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

não perguntes se te amo
se te quero ou te desejo
nem duvides do meu beijo
das palavras que te chamo.

não intuas nos meus braços
sentimentos que não tenho
se é por ti que me detenho
a sonhar outros cansaços.

nem queiras, amor, saber
por que chove o dia inteiro
se há tinta no tinteiro
ou se irei de nós escrever.